30 de janeiro de 2013

Desejos



Em Sábato:

"Porque a memória é o que resiste ao tempo e a seus poderes de destruição, e é algo assim como a forma que a eternidade pode assumir nesse trânsito incessante... [...]. Há algo dentro de nós, bem lá dentro, em regiões bem escuras que se agarra com unhas e dentes à infância, e ao passado, à raça e à tradição e aos sonhos, que parece resistir  a esse trágico processo: a memória, a misteriosa memória de nós mesmo, do que somos e do que fomos."


Talvez seja o livro que esteja lendo, talvez seja muito influenciável pelas minhas leituras noturnas.Mas venho percebendo, ao longo do tempo, a capacidade de alguns livros (não todos) de nos deixar frente a uma obra  e nos fazer sentir algo, além da mera capacidade que uma obra de arte tem de nos proporcionar emoções.

Mas esse trecho me dói. Aliás, esse livro me dói. Nunca havia me sentido tão mal ao ler um livro.E no entanto, continuo lendo. E no entanto, quero lê-lo. Ficava me perguntando se além dos livros "oba-oba" ,dos livros "case closed" ou ainda dos "happy ending" havia mais algum tipo de romance.Há vários, eu sei. Mas encontrei um que me faz chorar. (E não é "Marley e Eu" hahaha).

Juro que ao ler Sobre Heróis e Tumbas eu choro. Choro porque é algo pessoal. Choro porque me sinto culpada por coisas que fiz.Choro porque às vezes ele me faz pensar o quanto a gente é egoísta de vez em quando.Mas isso é só o meu ponto de vista.Gostaria muito de poder saber como os outros leitores desse livro se sentiram. 

Esse livro me faz pensar que não podemos resgatar fatos passados e em meio a essa impossibilidade, nos sentimos inúteis, incapazes, diminutos.É daí que vem a tristeza.

"Nunca mais ele me olhou como costumava olhar naqueles tempos. Nunca mais me escreveu cartas de amor como antes."

Aquilo que pretendemos resgatar não é mais possível.As mesmas circunstâncias e muito menos as mesmas emoções nunca mais serão vividas no presente.

Daí penso num dos meus desejos:" Melhor mesmo era não ter memória.Memória nenhuma.Sofreríamos menos. Seríamos mais felizes?"