27 de novembro de 2012

ふるさと (故郷) - Hometown




[...]

いいか に います父母
(Será que papai e mamãe estão bem?)

恙なしや友垣
(Como andam meus velhos amigos?)

雨に風につけて も
(Mesmo chovendo e ventando)

思いいずるふるさと
(Eu tenho saudades do meu lar)

心ざしを果して
(Depois que eu fizer tudo o que tiver que fazer)

いつの日にか帰らん
(Será o dia em que voltarei pra casa)
[...]


13 de novembro de 2012

Missão Cumprida


(

Sra Pinguim e Mulher Inteligente


(22.12.04)

 

          Olhando álbuns antigos, tirados de armários e gavetas. Todo final do ano, ou quase todos, eu tenho que arrumar as coisas do meu quarto. “Dar uma geral”. Esse ano, “dar uma geral” significa muito mais. Ano que vem é colégio. Escolinha nova. E muitas saudades do Pioneiro e da galera.


 A cada ano, a vontade de voltar para aquela porta daquele armário do cantinho do meu quarto é maior. É lá que minha mãe guarda as coisas de memórias: fotografias, álbuns, etc. É lá que comecei a guardar meus caderninhos. Hoje, ninguém mexe por lá a não ser eu. Eu achei bem seguro.


          Mamãe nas fotos antigas, desde pequenininha, sempre foi muito gordinha, rechonchudinha. Entre seus irmãos e irmãs é fácil reconhecê-la. Sempre gostou de comer. ( Hahahaha). Um dia, numa das várias conversas de mesa de jantar ela soltou o problema de fono que ela tinha quando pequena. Ao invés de “sushi”, ela falava “xixi”. “Quero xixi!”. E a batchan (avó) dela entendia que ela queria ir ao banheiro. Sempre caguei de rir dessa história.


          Mamãe não é aquelas modelos de mãe que aparecem em fotos de revistas Cláudia, ou naqueles anúncios do Dia das Mães. Eu e pai às vezes brincamos que ela é a Sra. Pingüim ( ainda é chamada assim hhauhauahuahauhsuhsuhuhsahu)!!!!


          Mamãe também nunca disse pra mim que ficar magra é bom. Disse também que não liga quando eu, pai ou qualquer outra pessoa conhecida ou não, sem querer, menciona seu excesso de peso. Acho ela muito forte.


          Um dia fiquei conversando com o pai. E, depois de um ou outro suco de cevada, ele soltou que gostava da mamãe, porque ela era inteligente.

Nunca ouvi dele uma coisa tão sentimental como essa. ( Acho que foi a única vez na vida até hoje hahaha). Sorri. Será que é isso que faz com que o amor deles seja forte?

Fui. Tenho que terminar de limpar. Argh!

 

12 de novembro de 2012

DÊ ÉRRES e CONSOLOS - D:


(07.06.06)

 

          B. tinha passado os últimos dias de junho no ano passado aqui em casa (desde a morte de um querido nosso). Ela costumava voltar todos os dias,até que a freqüência diminuiu ao longo de semanas .



          Mãe vivia falando pra eu conversar mais com ela. Mas a coisa que eu menos sei na vida é conversar como forma de consolo. Eu não consigo consolar uma pessoa. Pior ainda: eu não sei consolar uma pessoa que viu as mesmas coisas que eu vi, no “processo” todo do falecimento.Foi a primeira vez que tive que lidar com morte, e foi bem estranho.O consolo me dá desconforto. No consolo mútuo sou zero à esquerda.


          Daí eu procuro um pouco de silêncio, um pouco do meu espaço. Mãe diz que eu fujo demais dos conflitos, das discussões. Disse que é por causa da falta de conversa séria que meus relacionamentos vão sempre terminar. Eu brinquei com ela, disse que meus relacionamentos já haviam terminado quando chegava a hora da conversa séria. Eu só não queria ter a conversa final: dessa eu sempre fugi, como um garoto crianção. Hahaha


          Daí ela retrucou, dizendo que eu não sabia mesmo era consolar. E que eu só existia pras pessoas em seus momentos de felicidade.Fiquei bem triste. Pensei um bocado sobre isso.


          A conversa séria demanda habilidade. Eu não sou muito boa nesse tipo de coisa. Se fosse meu ofício, tudo bem. No campo profissional, os assuntos não são pessoais seus. Sem assuntos delicados eu consigo me desdobrar. O problema é falar sobre seus próprios sentimentos. Aí fodeu.Fujo com o rabo entre as pernas.

 

 

 

11 de novembro de 2012

Yankees, Rednecks Nerds e Strowna Glówna

             
              (04.05.2006) +(10.05.06) +(24.03.07)
Forum ZC polonês, nada a ver com o saudoso ZC's TFH Original

       Faz um tempinho, sou ilustradora, ajudo nos avatares, do (hoje falecido) THE FOREST HAVEN -Zelda Central ( fórum especializado em games sobre a série da Nintendo). Mas a gente não fala só sobre games.Fala-se sobre tudo lá: notícias, dúvidas pessoais,sobre ilustrações e HQs, gostos musicais e até sobre política. 

        Acompanho muito sobre as críticas ao governo Bush.A grande maioria dos caras de lá são americanos. Uns são da Flórida, outros da Pensilvânia, outros de Dallas, Chicago, Colorado, Georgia, Nova York e ainda um de Wisconsin, e etc... . Nenhum é democrata assumido, mas tenho certeza que não concordam com as medidas que o louco tá tomando hoje.

          Olhando assim, parece estranho que um fórum sobre games fale sobre essa penca de coisas. Nerd fala sobre amor? Sobre drogas, sexo? Existe nerd mulher?

          A grande maioria dos freqüentadores é bem ingênua, seja pela idade, seja pelas circunstâncias, pelo próprio tipo de fórum, ou pelo jeito da pessoa. Mas no meio de todos, sempre dá pra achar alguns mais bacanas, mais informados. Normalmente são os mais velhos. Levam os games a sério, com certeza. Acham que os games são parte importante da vida.

          Ao mesmo tempo, não deixam de contemplar outras coisas. Levam uma vida normal, fazem atividades normais, apesar de serem avessos ao esporte ou tudo que remete à vida saudável.

 D. já é casado tem dois lindos filhinhos e tem a família mais linda. Trabalha como músico e editor de música em WI. É um nerd-gamer assumido.

J. vai se formar em engenharia química esse ano. Tem namorada, tem uma banda. Vai noivar. É um puta nerd-gamer.

K. é uma menina fofa, faz colégio, quer ser bióloga. Adora jogar, mas também namorar, fazer compras. É nerd-gamer também.

          No começo desse ano, quando entrei no TFH, confesso, fui muito mal recebida. Não sabia quase nada sobre jogos em geral, apesar de ter jogado muitos da série Zelda. Sobre os outros jogos entendia lhufas. Fui mal recebida também por ser menina. E por ser de um país que não constava na lista de participantes. Os EUA dominavam, seguidos pelo Reino Unido, Alemanha, Países Baixos, um ou outro da região escandinava, muitos da Austrália, Nova Zelândia, Filipinas e um perdido do Equador.

          O universo de um moleque(ca) de 16 anos, médio americano é fantástico : eles não tem que ser submetidos a matérias que eles não curtem, eles escolhem a maioria delas. Isso seria demais aqui no Brasil.
Eles não são muito bons de geografia, mas tem bastante domínio da linguagem. Da linguagem do cotidiano mesmo, de se fazer entender. Eles também são muito educados na hora de te ouvir. Se você tem algo a falar eles vão te ouvir com atenção.

          Os nerd-gamers americanos são mais abertos a conversas do que os de outras nacionalidades. São mais afinados com o humor também. Mais engraçados. O mais bacana é que são respeitosos, apesar de palhaços.

          Bacana também foi a atenção que eles têm com tudo que tá relacionado com disciplina, educação. A prestatividade que tiveram quando levei um problema de mat que não conseguia resolver, ou quando um membro não sabia que curso superior escolher foi de se admirar. Não é a toa que esse país cresce.

          K. me ajuda muito com problemas normais da vida. Ela é uma das únicas meninas do fórum, assim como eu. Nossa aproximação só se deu agora, depois de algum tempo. Ela diz que é muito bom conversar com alguém vivendo as mesmas coisas que ela só que num lugar totalmente diferente. K. só entrou no fórum porque seu namorado tinha entrado. Eles terminaram, ele saiu, ela ficou.
         
          M. um dia me deu dicas de códigos html, ilustração, mexer com Photoshop, essas coisas. O sonho dele era ser animador de curtas ou longa-metragens. Torço pra que um dia ele consiga. Vejo todo dia ele se esforçando pra fazer uma animação. Hoje ele me mostrou uma sobre coelhinhos. Hahaha ficou demais. Gravei no YTB.

          Hoje foi o dia que todos resolveram se falar pelo Skype em uma conferência. Ninguém entendeu ninguém. Eu menos ainda. Só sei que me pediram pra cantar samba e aquelas merda de gringo de sempre. Hahaha

          Odeio new members. Acho que já sei porque fui mal recebida. New-members são retardados às vezes. A gente tem de explicar toda a dinâmica do fórum pra eles, ou até eles se acostumarem demora.
          É ruim ser a ilustradora porque vc é a que mais recebe reclamação. Pro moderador, vc não trabalha. Pro admin vc é um nada. Pro new-member vc é um lixo que não sabe desenhar. DESISTO! VOU virar common-member! Ou me candidatar ao Debate-member de novo!!!!



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          (Hoje)

          Modifiquei muitas partes. Havia muita reclamação e desabafo chato no meio dessa bagunça aí.


Ps: Agora fui procurar por Zelda Central -The Forest Haven no Google, deu em um fórum!!! Por um segundo fiquei tão feliz : até descobrir que era um forum polonês. O ZC morreu mesmo. Nós crescemos?! 

PS2: Hoje se vc quiser saber sobre como era o TFH , o Zelda Universe é bem parecido==> http://www.zeldauniverse.net/forums/index.php

Volta Pra Casa


(05.10.01)

          Hoje eu consegui o meu dia feliz. Voltei sozinha do Pioneiro pela primeira vez. Fiz o mesmo caminho do carro, pra não me perder. A única hora ruim foi passar pela ponte. Lá sempre tem muitos mendigos. Levei uns 5 reais comigo só por precaução.


          Hoje é sexta e por isso pedi a minha mãe que eu voltasse pra casa sozinha. Não queria voltar de condução. Eu queria andar. Saber se eu saberia o caminho de volta sem me perder, com medo de me perder.

          Faz mó (hahaha eu usava “mó!”) tempo que eu não pego um  tempo pra fazer isso: andar sem pressa. Eu gosto.

          Me senti muito bem andando na volta pra casa, tava claro, é horário de verão. Eu me senti forte. Meu discman e eu.E meus pés.

          A gente não pode levar discman, mas eu escondo bem lá no fundo da mala, enrolado no meu blusão. Eu já tentei ouvir na sala, mas sempre to sem blusão pra esconder o fone. Na aula da cega até dá. Mas eu gosto de Geografia, então não escuto.

          Tava ouvindo Red Hot no caminho. Na padaria troquei pelo cd da Dido.

          Passei na padaria e comprei meu eski bon. Foi-se o tempo que comprava Frutilly.É muito doce. (hahaha que boba).


          Agora tenho certeza que vai ser ou pizza ou chinês pra janta, porque minha mãe nem fez nada na cozinha.Fui. Quero pedir comida.Tô com fome.

         




O Casamento do Meu Melhor Amigo


28.08.06

         
          Sou a gelatina.E por esse motivo não posso desejar ser Crème brûlée. E eu sei que ele não quer uma gelatina. Ele deseja, sempre quis, um Crème brûlée. Um perfeitíssimo doce brûlée .

          Por mais que eu tente ser o Creme, eu vou ser sempre a gelatina.Porque assim é a vida. Até eu achar um novo amor.Tudo vai ficar bem.

          Sou a morena.E por esse motivo não posso desejar ser a loira.E eu sei que ele não quer a morena. Ele deseja, sempre desejou, a loira. Idiota.
         

-EP 4,5
-EE 10,11,12
-Ler Lírica de Camões

Noite de Varanda

            Faz uma noite fresca aqui fora na varanda onde eu escrevo.Resolvi escrever pra botar as coisas em ordem.Será que é preciso viver ao extremo para ter certeza de que viveu o necessário e morrer satisfeita?

          Será que eu preciso sair dessa vida regrada para provar um pouco do que é medo, adrenalina, emoção à flor da pele?!Será preciso viver mais tempo pra isso? Será que é bom fazer as escolhas erradas de vez em quando só para se propor um desafio pessoal?

          Sábado à noite e eu aqui gastando tinta e punhos...
         
          Olho então para aquela janela daquele prédio baixo, à frente da minha casa.Aquela janela acesa virou minha companheira de noites em claro estudando, de insônia, de finais de semana de madrugada.
         
          O vento aqui fora ficou frio. Vou me levantar e sair daqui.

-Plantão de dúvidas CM22 pg 30, ex. 38
-M p. 214 e 215, exs. 6,7,8


(26.08.06)

New Kid in Town



            It was a Friday night, she didn’t want to go anywhere but talk to him, she suddenly got the feeling that he would say yes to that trip again.He was a voyager.A wanderer. And her guide.Her companionship. It was like being someone else, not just her.But being him at the same time.And sure, she thought, he took her to live someone else’s life.She was not used to this excessive life.She was just another ordinary daughter of a middle-class working family.

            “I’d kill to have those trips again” she thought. I just don’t know why this interests her so much if this isn’t going to take her anywhere but her memories.

            As soon as he said “Hi”, she understood: that was her calling for another trip they would get on.Of course she was very up to it and she and her luggage were all set.She urged for another adventure, although she thought, at the same time, it was insane.

            “One day,” she told  herself “ we’ll be parted from each other.I know this.This kind of relationship won’t work. I feel that you and I will grow up and think that it’s lame.It’s just a dream.Foolish one.”

            She never gave too much of herself on this relationship, because she didn’t believe it would last anyway.It was beyond her way of life.It would take its toll on her someday.She would give up, because she is very pessimist about this kind of thing where people are too different.But she insisted anyway.

            That “one day” came, not instantly, but little by little. She'd finally become some girl who would laught about those days. But she couldn’t."It's my memories I'm talking about". They never said goodbye to each other.But they knew it was right not to do so.

(2009)

Texting


"Hm, it's a tough question :). I don't think I have any specific dreams, but I want not to live a boring life.I want  to live a life I can be proud of, not doing some meaningless things just to be doing something, but to fulfill my life with something meaningful to me and to others. :)

I won't just go to work, eat and sleep. I have to work and have a house, but that doesn't mean you can spice up your life and do some stuff you like.And trying new things and meeting new people. :) I would love to have a dog or a cat, not a big dog.

Kids, well, I don't wanna have too many, because I come from a big family and I know it's bad for a child to be overlooked and not given the love they deserve.I would love to live in a warmer country, but still comes to visit my family here."

Just tell me when you get too tired of talking to me. Outside my window, there's snow and frozen lakes right now.Glad I don't have to walk home or swim.I'm sleepy, but I have to get off the train in four hours. If I fall sleep now, I'll miss my station. :) That's why you have to tell me when it's time to stop writing."

(22.fev.2005) - anonymous

Esmaltes


          O barulho do liquidificador novo da minha mãe me causa arrepios. Desde criança detesto esse barulho. E o cheiro então? ! Cheiro de resistência queimada. De dar náuseas. Penso que vou comer aquele resquício de borracha aquecida, perco o apetite. Mas é o único jeito. Não dá pra ficar meia hora mexendo o muque pra afinar um caldo.

          Coisas que me causam náusea: liquidificador em funcionamento, ralo da pia da cozinha, queijo fedido.
Ah! Também tem a química de permanente e o removedor de esmalte (não a acetona, aquele rosinha).Acho que por isso que salão de beleza é o lugar que eu menos curto na face da terra. Nunca fui de reclamar de lugares. Mas salão de beleza, ou coiffeur,  hairstylist ou sei lá o que é pedir demais.

            Vivian tem um novo removedor com cheiro de framboesa, berries.Preciso lembrar de pegar um daqueles na farmácia.
            Mamãe sempre foi vaidosa com as unhas, sempre muito bem feitas. As unhas dela são dignas de propaganda de esmalte. As minhas, muito masculinas e/ou infantis demais. Não vale a pena gastar esmalte com elas. Por isso que sempre pinto as unhas pela cor e não pelas unhas.

            As cores que eu mais usei sempre foram as mais escuras, tendendo sempre ao azul. Azul nas minhas unhas cai bem. Elas deixam de ser infantis. Nenhuma menina de 5 anos põe esmalte azul para imitar a mãe. A primeira cor que lhe vem à cabeça é sempre aquele vermelhão. Meninotas adoram vermelhão.
           
            Eu lembro do dia do esmalte preto. Aquele dia minha mãe olhou pra mim e disse que eu tinha um tremendo mau gosto. Hahahaha Sempre ouvi isso às vezes de brincadeira, às vezes não.
(23.mar.2003)
             

Todos

                                                                                                                                  

            S. gostava de sair na chuva, sabendo que iria se molhar.(Eu sabia que eu iria começar um texto com chuva). Ela gostava de fazer isso especialmente se estivesse acompanhada de alguém que também quisesse se molhar. Porque ela gostava de ver os outros corpos fazendo movimentos na chuva como o dela: livres, sem propósito, como se procurassem sentir muito mais que gotas d’água.

          Às vezes ela pensava: um dia eu vou me molhar na chuva com alguém. E esse alguém vai ser pra sempre. Vai ser o meu “pra sempre”, não importe o quanto dure, vou levar esse alguém pra junto da minha memória. Esse alguém não vai poder ter medo de se molhar com ela. Não vai poder recusar. Nem hesitar entrar na chuva, na água gelada. Vai ser um homem?Uma mulher? Não sei. Mas quero que esse alguém não tenha medo. Porque se ele tiver medo, vou achar que a minha companhia não vai ser o bastante para ele.

          S. é aquele tipo de pessoa que estava em todos os lugares, em todos os eventos. Se pudesse iria a todos, ao mesmo tempo, sem se cansar. Se você quisesse encontrar S. ela estaria em tudo quanto é canto, menos em sua própria casa. S. sonhava ,claro, com seu cantinho, com sua casa, seu espaço. Mas ela também achava que o espaço dela era a rua. Nada mais refrescante para alma do que abrir o portão de sua casa e sentir seus pés na rua. No espaço de todos.

          “Todos” era uma palavra que S. gostava muito. Ao mesmo tempo ela achava uma palavra difícil. Porque nunca era compatível com as outras. Era impossível conciliar todas as outras palavras juntas com “todos”. Agradar a todos, não dava.

          Quando era criança S., era aconselhada a compartilhar seus brinquedos com todos. Era advertida ao não dar atenção a todos que quisessem conversar com ela. Aprendeu a lição muito bem. Só que hoje ela não entende porque ensinaram isso a ela, se era impossível conciliar sua atenção (e o seu tempo) com todos.

          Repetidas vezes, mamãe falava pra mim: ajude o outro, faça com que os outros sejam felizes, se você puder, dê apoio a uma pessoa querida, e ela vai te agradecer com o maior sorriso do mundo. Quando S. aprendeu isso, ela nunca mais parou de seguir os conselhos da mãe. Infinitas vezes recebeu o maior sorriso do mundo e ficou com o maior sorriso do mundo dentro daquele calorzinho gostoso que ela sentia quando ajudava alguém.

          Um dia ela percebeu que não pudia agradar a todos. Dentro de seu universo, todos eram muito gratos a ela. Ninguém era tão companheira, amiga, fiel como ela era. Mas quando percebeu que isso não era o bastante para ela, ela começou a pensar que não valia a pena. Ela havia ajudado a todos, mas no fundo sentia que estava deixando sua vida em segundo plano.