12 de novembro de 2012

DÊ ÉRRES e CONSOLOS - D:


(07.06.06)

 

          B. tinha passado os últimos dias de junho no ano passado aqui em casa (desde a morte de um querido nosso). Ela costumava voltar todos os dias,até que a freqüência diminuiu ao longo de semanas .



          Mãe vivia falando pra eu conversar mais com ela. Mas a coisa que eu menos sei na vida é conversar como forma de consolo. Eu não consigo consolar uma pessoa. Pior ainda: eu não sei consolar uma pessoa que viu as mesmas coisas que eu vi, no “processo” todo do falecimento.Foi a primeira vez que tive que lidar com morte, e foi bem estranho.O consolo me dá desconforto. No consolo mútuo sou zero à esquerda.


          Daí eu procuro um pouco de silêncio, um pouco do meu espaço. Mãe diz que eu fujo demais dos conflitos, das discussões. Disse que é por causa da falta de conversa séria que meus relacionamentos vão sempre terminar. Eu brinquei com ela, disse que meus relacionamentos já haviam terminado quando chegava a hora da conversa séria. Eu só não queria ter a conversa final: dessa eu sempre fugi, como um garoto crianção. Hahaha


          Daí ela retrucou, dizendo que eu não sabia mesmo era consolar. E que eu só existia pras pessoas em seus momentos de felicidade.Fiquei bem triste. Pensei um bocado sobre isso.


          A conversa séria demanda habilidade. Eu não sou muito boa nesse tipo de coisa. Se fosse meu ofício, tudo bem. No campo profissional, os assuntos não são pessoais seus. Sem assuntos delicados eu consigo me desdobrar. O problema é falar sobre seus próprios sentimentos. Aí fodeu.Fujo com o rabo entre as pernas.