DÊ ÉRRES e CONSOLOS - D:
(07.06.06)
B. tinha passado os últimos dias de junho no ano passado
aqui em casa (desde a morte de um querido nosso). Ela costumava voltar todos os
dias,até que a freqüência diminuiu ao longo de semanas .
Mãe vivia falando pra eu conversar mais com ela. Mas a
coisa que eu menos sei na vida é conversar como forma de consolo. Eu não
consigo consolar uma pessoa. Pior ainda: eu não sei consolar uma pessoa que viu
as mesmas coisas que eu vi, no “processo” todo do falecimento.Foi a primeira
vez que tive que lidar com morte, e foi bem estranho.O consolo me dá
desconforto. No consolo mútuo sou zero à esquerda.
Daí eu procuro um pouco de silêncio, um pouco do meu
espaço. Mãe diz que eu fujo demais dos conflitos, das discussões. Disse que é
por causa da falta de conversa séria que meus relacionamentos vão sempre
terminar. Eu brinquei com ela, disse que meus relacionamentos já haviam
terminado quando chegava a hora da conversa séria. Eu só não queria ter a
conversa final: dessa eu sempre fugi, como um garoto crianção. Hahaha
Daí ela retrucou, dizendo que eu não sabia mesmo era
consolar. E que eu só existia pras pessoas em seus momentos de
felicidade.Fiquei bem triste. Pensei um bocado sobre isso.
A conversa séria demanda habilidade. Eu não sou muito boa
nesse tipo de coisa. Se fosse meu ofício, tudo bem. No campo profissional, os assuntos não são pessoais
seus. Sem assuntos delicados eu consigo me desdobrar. O problema é falar sobre
seus próprios sentimentos. Aí fodeu.Fujo com o rabo entre as pernas.